Todas as causas da obesidade e seus fatores de risco explicados

Mulher na academia fazendo remada baixa. a musculação ajuda na luta contra a obesidade
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Caio Vega

Última atualização

10 de julho de 2026

A obesidade é hoje um dos problemas de saúde pública mais preocupantes no Brasil e no mundo: ela afeta quase um em cada quatro pessoas no nosso país! Longe de ser uma simples questão de falta de força de vontade, a obesidade é uma doença complexa e com múltiplos fatores. Compreender suas causas é dar um primeiro passo essencial para um tratamento adequado.

O que realmente define a obesidade?


Antes de explorar suas causas, é útil lembrar o que é a obesidade do ponto de vista médico. Ela é definida por um índice de massa corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m², calculado dividindo-se o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros).

CategoriaIMC (kg/m²)
Peso normal18,5 – 24,9
Sobrepeso25 – 29,9
Obesidade moderada30 – 34,9
Obesidade severa35 – 39,9
Obesidade mórbida≥ 40

Mas o IMC sozinho não é suficiente: a localização da gordura também tem um papel importante. A obesidade abdominal (quando a circunferência da cintura é maior que 94 cm nos homens e maior que 80 cm nas mulheres, está associada principalmente a um riscos de desenvolver distúrbios cardiovasculares e metabólicos.

Na obesidade, a sua alimentação e o seu comportamento estão em jogo!


O ganho de peso acontece quando o corpo recebe mais energia do que consegue gastar. Mas isso não depende apenas da quantidade de comida (ingestão calórica) ou de exercício. Esse desequilíbrio também é influenciado por hábitos, rotina, emoções, ambiente, sono, estresse e pela facilidade de acesso a alimentos mais calóricos.

Causa da obesidade nº 1: uma alimentação desequilibrada

A evolução dos hábitos alimentares nas últimas décadas modificou profundamente nossa relação com a comida:

  • Um fator importante é o tipo de alimento consumido no dia a dia. Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras e aditivos, costumam ser mais calóricos e menos saciantes.
  • Além disso, porções muito grandes, comuns em produtos industrializados e no fast food, fazem com que a pessoa coma mais sem perceber. O mesmo acontece com os “beliscos” ao longo do dia, que muitas vezes aparecem em momentos de estresse, ansiedade ou tédio.
  • Também existe a alimentação emocional, quando a comida passa a ser usada como forma de aliviar emoções difíceis.

Muitos desses alimentos são feitos para serem extremamente saborosos e fáceis de consumir, o que pode atrapalhar os sinais naturais de fome e saciedade do corpo.

Causa da obesidade nº 2: o sedentarismo

O sedentarismo também tem um papel importante no ganho de peso. Nas últimas décadas, passamos a nos movimentar muito menos no dia a dia. Isso aconteceu por vários motivos:

  • mais pessoas trabalham sentadas;
  • muitas passam diversas horas em frente a telas;
  • a maioria se desloca menos a pé ou de bicicleta; e
  • vários de nós dedicamos menos tempo à prática de atividades físicas.

Com menos movimento, o corpo gasta menos energia ao longo do dia. Quando isso se torna rotina, fica mais fácil acumular gordura corporal, especialmente na região abdominal.

Causa da obesidade nº 3: o sono e o estresse

Os dados científicos cada vez mais mostram que a falta de sono e o estresse crônico contribuem para o ganho de peso:

  • Um sono insuficiente, com menos de 7 horas por noite, perturba a produção de leptina (o hormônio da saciedade) e de grelina (o hormônio da fome) o que aumenta o apetite.
  • O estresse crônico eleva os níveis de cortisol, aumentando o armazenamento de gordura abdominal e o desejo por alimentos doces ou gordurosos.

Mas tem mais: fatores genéticos e biológicos na obesidade


A obesidade não é apenas fruto de comportamentos: a biologia desempenha um papel importante, muitas vezes subestimado.

Causa da obesidade nº 4: hereditariedade e genética

Estudos com gêmeos mostraram que a genética pode explicar entre 40% e 70% da variação do peso de um indivíduo para outro. Vários mecanismos estão envolvidos nisso:

  • A genética também pode influenciar o ganho de peso: algumas pessoas têm variantes genéticas que afetam o apetite, a forma como o corpo gasta energia em repouso ou a tendência para armazenar gordura.
  • Em casos mais raros, existem alterações em genes específicos (mutações), como o MC4R, que participa da regulação da fome e da saciedade. Essas alterações podem estar relacionadas a formas mais graves de obesidade, especialmente quando começam ainda na infância.
  • Além disso, a influência familiar não acontece apenas pelos hábitos alimentares aprendidos em casa. Também pode existir uma predisposição metabólica herdada, que torna o controle do peso mais desafiador para algumas pessoas.

Causa da obesidade nº 5: os desequilíbrios hormonais

Algumas doenças endócrinas podem provocar diretamente ganho de peso:

  • Hipotireoidismo: a tireoide funciona de forma mais lenta, o que pode reduzir o metabolismo do corpo.
  • Síndrome de Cushing: excesso de cortisol, um hormônio ligado ao estresse, que pode favorecer o acúmulo de gordura principalmente na região abdominal.
  • Síndrome dos ovários policísticos: também pode estar associada ao ganho de peso em mulheres, especialmente por sua relação com a resistência à insulina.
  • Resistência à insulina: o corpo passa a ter mais dificuldade para usar a glicose de forma adequada. Com isso, o pâncreas produz mais insulina, o que pode facilitar o armazenamento de gordura.

Causa da obesidade nº 6: o microbioma intestinal

A relação entre o intestino e o ganho de peso também tem sido cada vez mais estudada.

O microbioma intestinal é o conjunto de bactérias que vivem no nosso intestino e ajudam em várias funções do corpo, como digestão, metabolismo e até na comunicação entre intestino e cérebro.

Alguns estudos sugerem que certos perfis de microbiota podem fazer o corpo aproveitar mais calorias dos alimentos ou influenciar sinais de fome e saciedade.

Quando há um desequilíbrio nessas bactérias, chamado disbiose, isso pode contribuir para alterações no metabolismo e, em alguns casos, favorecer o ganho de peso.

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Outras causas: medicamentos e a influência do ambiente


Muitas vezes, quando falamos sobre ganho de peso, pensamos apenas em alimentação e atividade física, mas existem também fatores externos que podem influenciar esse processo.

Causa da obesidade nº 7: medicamentos obesogênicos

Alguns tratamentos médicos podem causar ganho de peso como efeito colateral:

Classe medicamentosaExemplos
AntidepressivosParoxetina, Mirtazapina
AntipsicóticosOlanzapina, Clozapina
CorticoidesPrednisona em uso prolongado
AntiepilépticosValproato de sódio
AntidiabéticosInsulina, Sulfonilureias

Nunca se deve interromper um tratamento sem orientação médica, mas é possível conversar com o médico caso seja observado um ganho de peso acentuado.

Causa da obesidade nº 8: os disruptores endócrinos

Os disruptores endócrinos são substâncias químicas presentes no ambiente, como pesticidas, plásticos e cosméticos, que podem interferir no sistema hormonal.

Alguns deles, chamados obesogênicos ambientais, poderiam favorecer o armazenamento de gordura ao agir sobre receptores hormonais específicos.

Entre os mais estudados estão: bisfenol A (BPA), ftalatos e alguns pesticidas organoclorados.

Causa da obesidade nº 9: o contexto socioeconômico

O nível socioeconômico é um fator determinante que é frequentemente negligenciado:

  • As desigualdades de acesso a uma alimentação saudável: produtos frescos e de qualidade custam mais caro do que alimentos ultraprocessados;
  • Os “desertos” e “pântanos alimentares”: algumas áreas geográficas não contam com comércios que ofereçam produtos frescos;
  • O estresse ligado à precariedade pode induzir comportamentos alimentares compulsivos;
  • A pouca prática esportiva em contextos desfavorecidos, por falta de tempo, dinheiro ou infraestrutura.

Essas desigualdades explicam por que a obesidade afeta mais determinadas populações e por que ela não pode ser reduzida a uma simples questão de escolha individual.

Em conclusão, a obesidade é uma doença multifatorial na qual interagem fatores comportamentais, genéticos, hormonais, medicamentosos e sociais. Ela raramente resulta de uma única causa, e seu tratamento deve ser global, personalizado e sem julgamento.

Se você sofre com problemas de peso ou deseja compreender melhor a sua situação, não deixe de conversar com um médico endocrinologista.

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